Minha saída das midias
- Adriana Braga
- há 23 horas
- 2 min de leitura

Minha saída das mídias socias não foi uma decisão impulsiva, mas um reconhecimento.
Percebi que, quanto mais tempo passava em ambientes de estímulo constante, menos eu ouvia o que realmente importava, menos eu ouvia a mim mesma — e menos eu ouvia o que sempre me guiou: uma linguagem que não vem do pensamento acelerado, mas do silêncio.
Saí das redes por uma necessidade profunda de reduzir a dispersão mental. O que eu buscava não estava em mais conteúdo, mais interação, mais visibilidade.
Estava no silêncio e assim, mais conexão corporal, sensitiva, espiritual.
O excesso de estímulos rápidos — rolagem infinita, notificações, comparação — estava ocupando um espaço que, para mim, é sagrado. Esse espaço é onde eu recebo o que não se fabrica: Astrologia, tarot, símbolos, sincronicidades… tudo isso exige um tipo de escuta que não combina com o barulho.
Exige pausa e esvaziamento. Exige que eu desça do ritmo acelerado do mundo e entre num ritmo que é outro — mais lento, mais sensorial e mais verdadeiro.
Sem esse silêncio, as mensagens chegam distorcidas. Ou não chegam.
Quanto mais silêncio, mais eu percebo que o mundo já fala o tempo todo!
Um sonho, um encontro inesperado, uma carta que se repete, um trânsito astrológico que se anuncia antes mesmo de eu abrir o mapa. Ela se revela quando tem espaço cultivado para que ela chegue.
Voltar ao silêncio foi, para mim, voltar a se alfabetizar nessa língua, que é um processo infinito e constante. Não que eu tenha deixado de usá-la, mas agora tem menos ruído entre a mensagem e a percepção. O que chega, chega mais limpo.
E tem algo mais: o silêncio me devolveu à natureza. Não só a natureza externa que eu vivo rodeada aqui na serra da Mantiqueira — árvores, céu, vento, terra — mas a natureza selvagem dentro de mim. Aquela parte que não se dobra à agenda, ao algoritmo, à obrigação de aparecer. Aquela parte que simplesmente é.
Percebi que, ao sair das redes, eu estava também saindo de um contrato invisível: o de ser acessível o tempo todo e de existir dentro de um formato que não foi feito para a profundidade.
A natureza selvagem simplesmente segue o seu ciclo, se recolhe quando precisa e emerge quando é tempo.
Eu estou reaprendendo isso e posso dizer que é um alívio!
Hoje, meu contato com quem busca meu trabalho acontece de forma mais simples e orgânica: pelo site, por indicação, por encontros reais — um a um, como sempre fez sentido para mim.
Não estou isolada. Estou mais presente no que importa.
Os atendimentos seguem acontecendo, e neles eu continuo fazendo o que mais amo: traduzir, com astrologia e tarot, o que a pessoa precisa escutar quando chega.
A grande diferença é que agora eu me apresneto nesses encontros com menos dispersão, mais escuta e mais silêncio dentro de mim - um espaço interno essencial para o recebimento das mensagens que tem que chegar.



Comentários