Passo da Lua (semana de 13/04)
- Adriana Braga
- 11 de abr.
- 4 min de leitura

Passo da Lua: semana de 13 a 19 de abril
Do silêncio que prepara a terra e sustenta o novo
Há semanas que trazem movimentos paradoxais acontecendo ao mesmo tempo — aqui no caso, fechamentos e recomeços.
E talvez por já estarmos há algum tempo nesse ritmo caótico, o território emocional ainda se apresenta difuso: sensações que vêm sem nome, tem um cansaço que pede espaço e o descanso que se mostra mais necessário do que qualquer plano.
Mas a semana finaliza num outro lugar com a lua em Touro, com os pés fincados no chão, com a possibilidade de plantar algo real e com a solidez de quem soube encerrar aquilo que já não cabia mais.
Se você sentir cansaço no início e vontade de agir no meio, não se assuste: é o ritmo da semana. E ela pede apenas uma coisa — que você não pule etapas.
O clima geral pode ser compreendido como um útero simbólico. O Sol em Áries traz uma imensa força de início, decisão e movimento. Tem algo querendo nascer, avançar, tomar forma. Mas a Lua atravessa sua fase balsâmica, a mais silenciosa e introspectiva de todo o ciclo — aquela que silencia para que a digestão se faça.
É nesse contraste que mora a tensão criativa: você quer começar, mas ainda precisa terminar. Agir, sim — mas apenas a partir do que foi realmente elaborado por dentro, e não do impulso ou da reação acumulada. A fase balsâmica é fértil: tem algo que está sendo gestado, mas ainda não deve ser forçado para fora.
Entre os dias treze e quinze (2ª a 4ª feira), com a Lua em Peixes, as emoções vêm ainda como névoa. A gente vai sentir mais do que consegue nomear com clareza. Rola um paradoxo: um impulso de ação começa a surgir, mas ainda sem direção definida. O clima é de vulnerabilidade, empatia elevada e uma necessidade real de recolhimento.
O risco é a confusão ou a paralisia e então, a sugestão mais simples e eficaz são os banhos demorados, a escrita livre, menos estímulo e mais silêncio e dar espaço para sentir sem exigir definição imediata.
Entre os dias quinze e dezessete (4ª a 6ª feira), a Lua entra em Áries, o beijo entre Sol e Lua inaugura a Lunação Ariana e a energia muda de forma bem mais evidente. A névoa começa a se dissipar — às vezes com certa aspereza, porque o calor retorna, o corpo pede movimento e intensifica a vontade de agir.
O clima é de urgência, coragem e calor instintivo. Mas é justamente aqui que mora o perigo: agir sem pausa ou reagir ao que está acumulado.
O caminho mais favorável então é o movimento com consciência — caminhar, alongar, descarregar o corpo — e, ao mesmo tempo, criar pequenas pausas antes de decisões mais definitivas. Entre o impulso e a ação, um intervalo agora, pode fazer toda a diferença.
Nos dias dezoito e dezenove (sábado e domingo), a Lua em Touro revela um humor completamente diferente: mais lenta, mais concreta e mais comprometida. Depois do fogo de Áries, surge a necessidade de aterramento.
Essa Lua Nova acontece nos últimos graus de Áries, no grau sabiano 28°, cujo símbolo fala de “um grande público sendo entretido”. Veja que imagem potente sobre expressão, visibilidade e sobre o risco de agir a partir de uma performance, de uma resposta ao olhar externo, em vez de um gesto verdadeiramente alinhado com a autenticidade criativa.
Nesse ponto do ciclo, vale muito a reflexão da pergunta:
O que em mim quer nascer como expressão viva — e o que ainda está respondendo a expectativas, papéis ou necessidade de validação?
É que ao mesmo tempo em que Áries com sua coragem para se mostrar e iniciar são muito evidentes, esse grau sabiano já traz a consciência sobre como e por que eu me coloco em movimento.
A energia, então, favorece construir, organizar e sustentar — mas a partir de um eixo interno mais honesto. Há uma busca por estabilidade, conforto e prazer simples, mas o risco de Touro é a rigidez ou a resistência à mudança.
O apoio está no corpo e na matéria: alimentação, descanso, organização prática, contato com o que é tangível. Um ritmo mais lento não é atraso, mas o que permite que algo se sustente a longo prazo.
A carta da semana, o Ás de Ouros, traduz com muita precisão esse movimento:
Em Peixes, a semente ainda é invisível, que se sustenta por uma sensação ou uma intuição.Em Áries, ela surge como impulso mais claro.Em Touro, a semente encontra a terra.
Porque nem todo impulso é um começo verdadeiro, mas todo começo verdadeiro nasce de um espaço interno bem-preparado.
Com muito fogo e pouca presença do elemento Ar, pode faltar durante a semana a clareza mental e a fluidez na comunicação. Vale compensar isso com pausas conscientes, escrita para organizar as ideias e conversas mais presentes e menos autocentradas e reativas.
O direcionamento da semana é simples, mas exige presença: No início, recolha-se e escute. No meio, mova o corpo e crie pausas entre o sentir e o agir. No final, comece a estruturar — com calma, sustentando o que faz sentido no tempo.
Evite decisões definitivas no auge emocional. Prefira aquelas que possam ser construídas e sustentadas.
Se essa semana for atravessada sem pressa, algo importante pode se revelar: o novo começo não nasce só do impulso, mas também do descanso bem-feito, do encerramento digerido e da terra bem-preparada.
No fim, tudo se resume a atravessar o período balsâmico com a consciência e o potencial fecundo que ele pede.
Ótima semana, pessoal!



Três grandes passos para esta semana, me pegou a palavra sustentar! Obrigada por mais esta, Adri!
show
Uau... Desafiador, mas também fecundo!