O Cultivador Mental
- Adriana Braga
- 17 de jun.
- 2 min de leitura
Atualizado: 21 de jun.

Lembra que a imagem do grau sabiano que inaugurou esta lunação em Gêmeos é a de um homem aparando palmeiras?
Ela não me parece exatamente uma cena de transformação espiritual exultante... não vemos nessa imagem raios de luz, portais cósmicos nem revelações dramáticas, mas só alguém fazendo manutenção em uma árvore – um simples jardineiro.
Penso que é uma equívoco no campo da espiritualidade imaginar crescimento como expansão constante. Meus maiores insights são através da observação da natureza – e vejo que o movimento natural é outro. Ela também cresce pausando, dando um passo atrás para fazer o balanço no estoque, selecionar, descartar e reorganizar.
Uma palmeira saudável não tenta alimentar em todas as estações todas as folhas ao mesmo tempo – essa tarefa é hercúlia... Um jardineiro experiente sabe que nem tudo merece continuar ocupando espaço e o cultivador mental começa a entender isso.
Ele não passa o dia tentando dar conta de tudo, mas escolhendo o que vale seu investimento: pensamentos, conversas, preocupações, pessoas.
Vejo que tem uma diferença enorme entre estar ocupado e estar cultivando alguma coisa.
Uma pessoa excessivamente ocupada responde a tudo indiscriminadamente, o cultivador responde com discernimento ao que importa. Uma pessoa ocupada abre mais uma aba no navegador, o cultivador fecha três e fica com a que vale a sua atenção e cuidado.
Mas como lidar com o impulso de resolver tudo imediatamente e aplacar a culpa por desacelerar?
A sociedade do cansaço incute em nós a crença de que produtividade significa estar todo o tempo disponível como um dos maiores valores no mercado de trocas.
Mas Mercúrio em Câncer desacelera - e o céu nos lembra que algumas coisas amadurecem no tempo natural e não necessariamente no tempo do relógio.
Podemos preparar o terreno, regar, observar e corrigir a rota. O que não dá é ficar puxando o broto para ele crescer mais rápido.
Nesta lunação, o chamado não seria produzir mais, mas sim aperfeiçoar a arte da jardinagem, do cultivo mental focado e sereno - que sabe investir no que vale o esforço e espera o tempo certo do desabrochar.
E quando o trabalho foi feito com maestria, dentro dos limites e possibilidades, resta ao jardineiro somente descansar na espera confiante. Ele sabe que a quantidade de obsessão pelo projeto não vai fazer com que ele cresça mais rápido.
E também não é plantar banana e esperar colher mirtilos.
Todo jardineiro que preze pela preservação da sua força produtiva, foca no que tem valor, potência e principalmente, inspiração e alegria.
Essa é uma lunação que pede humildade nos aprendizados do cultivador mental em nós - e pés e mãos bem fincaados na terra!



Cultivar a percepção do tempo das coisas não é entrar no tempo cíclico e não o gregoriano?
simplicidade é palavra de ordem - tarefa desafiadora!